Tsubasa Chronicles me decepcionou

Eu pulei em Tsubasa Chronicles sem saber nada sobre a série, fora o fato de ser uma espécie de geléia geral do grupo CLAMP, lotado de referências e com algum tipo de ligação com xxxHolic, o melhor show do grupo. Eu poderia ter pesquisado sobre o enredo de antemão, mas eu preferi fazer isso para assistir a série sem nenhum tipo de preconceito ou pré-julgamento. E eu me decepcionei muito.

A idéia é mediana: um elenco de tipos variados (um mago que não faz mágica, um ninja que não “ninjeia”, um típico herói shounen e uma princesinha frágil) se reunem e viajam por vários mundos e dimensões para procurar uma série de itens mágicos para recuperar a memória da princesinha. Não tem problema. Eu poderia aguentar caso a execução superasse a premissa. Mas não é o que acontece. O que acontece é uma sucessão de estórias fracas e desinteressantes repetindo a velha síndrome de Dragon Ball: o item mágico cai nas mãos do malvadão local e os heróis devem lutar para recuperar o item e salvar os pobres aldeões indefesos. Gradualmente, os enredos e as interações com os mundos visitados começam a melhorar, sendo a cereja do bolo o último arco da primeira temporada, o do mundo da realidade alternativa, que introduz um personagem mais importante(enquanto todos os mundos anteriores eram meros stand-alone , que não teriam nenhuma relevância anterior).

A essa altura, já é possível constatar outra falha da série: a péssima caracterização dos personagens. Eles são rasos e vazios, sendo que Sakura é de longe a mais interessante entre eles. Pelo menos nesse sentido a série cumpriu sua missãoo de recuperar a memória e, assim, desenvolver a personagem dela. O resto do elenco é fraco: Syaoran é um trágico herói disposto a fazer tudo pela amiga, desejando apenas recuperar as penas e salvar a amiga; Fai e Kurogane são meros coadjuvantes de luxo, tendo pouca relevância no decorrer da história em geral. Cada um ganha seu episódio particular para mostrar que “não é bem assim, eles não são tão lineares quanto você pensa”, mas no final das contas pouco é investido nos dois personagens.

Tsubasa seria genial se fosse feito um equilíbrio entre explorar os mundos visitados e seguir o enredo/viagem. Mas muito mais é gasto nas histórias particulares de cada mundo do que com a história maior em questão, recuperar as penas. De quem é a culpa? Do estúdio Bee Train. Até aquela época famosos por criarem shows de andamento lento(Noir, El Cazador de la Bruja), o estúdio só faria algo digno de nota em 2008, com Natsume Yuujinchou, onde a lentidão é perdoada e até bem-vinda. Em Tsubasa, o andamento vagaroso assassina todo o propósito do anime. E é com a troca de estúdio que as coisas mudam radicalmente em Tsubasa.

Saído Bee Train, entra Production I.G, garantia de espetáculo visual. Tsubasa já tinha tido uma animação sólida com o estúdio anterior, isso é inegável, então tudo o que sobraria mudar seria no departamento gerencial. Novo diretor, novos roteiristas, uma experiência totalmente diferente. Os três episódios de Tokyo Revelations possuem mais desenvolvimento de enredo e personagens do que os 52 episódios das séries somados. Finalmente conhecemos a verdadeira intenção do vilão Fei-Wang; o verdadeiro significado do outro Syaoran; Fai e Kurogane ganham um destaque inédito. O limite de três episódios torna o ritmo mais veloz, e a ambientação no universo de X(aquele mesmo, do mangá paralisado) alavanca os níveis de ação, destacando a diferença dos dois estúdios na animação em ritmo rápido(com o Bee Train, as lutas eram mal-coreografadas, com o Production I.G, são não só melhores animadas mas melhor planejadas também).

Pode-se argumentar que Bee-Train teve que lidar com a parte mais difícil da série: a apresentação e o desenvolvimento inicial, tendo que fazer com que os personagens interagissem com vários mundos diferentes, enquanto P I.G pegou um material com uma história já consolidada, e os cinco episódios de seus OVAs se passam em apenas dois mundos diferentes. Mas a versão de TV peca por muitas coisas mais, como a caracterização fraca e os sub-enredos fracos. De qualquer maneira, se cinco episódios possuem mais conteúdo que 52, você já fez alguma coisa errada.

Tudo o que falta a Tsubasa é um final autêntico, já que o segundo OVA, Shunraiki , é apenas um abre-alas para a conclusão da estória. É também nele que a relação de Tsubasa com xxxHolic é totalmente revelada. Mesmo com OVAs que adaptam à altura a história, a série já está manchada com duas péssimas séries de TV. O que não é bem uma novidade, já que os mangás do grupo CLAMP sempre sofreram com más adaptações para anime. xxxHolic continua sendo a melhor e mais sólida adaptação do grupo.

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2 respostas para Tsubasa Chronicles me decepcionou

  1. 9Valkiria disse:

    Ótimo então.

    Fatou falar no seu blog sobre o anime Natsume Yuujinchou, já que você falou tão bem dele..
    Gostei da sua resenha. O anime decepciou sim, até mesmo o final, alias, onde está o final?

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