O problema de Kobato se chama Kobato

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Não foi bem assim. Eu gostei de Kobato mais do que eu imaginei que iria. Na mesma veia de xxxHolic, uma garota precisa ajudar as pessoas para conseguir o que deseja e, igual a Tsubasa, lotado de referências a trabalhos anteriores do CLAMP, Kobato poderia ter sido ótimo, não fosse um problema: a protagonista.

Eu detesto personagens autistas. Eu até dediquei uma tag a isso. Personagens idiotas podem estragar uma estória bem feita. Aconteceu com Tsubasa Chronicles, onde Fai se comporta com um acéfalo a maior parte do tempo. E isso é um problema muito grande, porque os personagenssão a parte mais fundamental da narrativa: é através deles, das suas ações e interações, que o enredo será apresentado aos espectadores, será movido em frente. Não significa que a mensagem do anime não será passada, só não será da melhor forma possível. A falha de Kobato é a mesma de Tsuritama, onde a “estrangeirice” serve como justificativa para que ele se comporte de maneira idiota e fútil.

Não quer dizer que o anime tenha sido totalmente arruinado. É uma versão mais suave de xxxHolic, onde a protagonista Kobato deve trazer paz de espírito para pessoas angustiadas, em troca de que o desejo dela de viajar para outro mundo seja realizado. O anime gira em torno dessa idéia central, mas é episódico: cada capítulo tem seu próprio sub-enredo, que foi a melhor direção a ser tomada. O próprio enredo faz com que as interações da protagonista com os demais personagens se torne a principal ferramenta que vai fazer a estória andar. E é aí que está o problema.

Kobato é inocente demais. Feito uma menininha(que ela é), só que pior. As reações dela são exageradas, com o intuito de produzir “comédia”. Ela é tão imbecil que é incapaz de pronunciar o nome do próprio parceiro de viagem, Iorogi, corretamente. Iorogi não é muito melhor. Ainda querendo fazer “comédia”, ele fala feito um delinquente de colégio, só que é meio ridículo ter um cachorro de pelúcia falando feito um valentão. E não ridículo engraçado, só ridículo. Mesmo assim, a ingenuidade da protagonista acaba combinando com o estilo leve do anime. No fundo, por mais falha que seja a caracterização dela, é a que melhor se encaixa no que o show se propõe a fazer.

A resolução dos conflitos também é outro ponto fraco do anime. Kobato depende disso para ganhar os “confetes” que realizarão o desejo dela. A maioria deles é suave, infantil e rápida demais. Basicamente as pessoas vêm, ficam e vão embora em menos de 25 minutos. Como eles se resolvem rapidamente em apenas um episódio, não possuem o impacto emocional apropriado. Não há tempo nem intenção de se investir em um drama mais denso. O drama dos personagens, ou o dia-a-dia deles(o que acaba fazendo com que o anime caia mais para o lado slice of life é mais interessante do que os problemas em si. Não é uma falha em si, mas uma prova do potencial desperdiçado do show.

O melhor personagem de Kobato: um urso confeiteiro.

Os personagens são mal desenvolvidos. O elenco é basicamente linear; o único personagem que recebe algum desenvolvimento decente é Fujimoto, lá pelo final, quando é contado com mais detalhes sobre a infância dele. Os demais personagens não possuem uma apresentação tão boa sobre seus passados ou personalidades(fora que eles são todos gentis, mas gentileza não é uma personalidade), mas considerando que o resto do elenco não é tão próximo da protagonista quanto ele, nada de muito valor é perdido.

Mas muita coisa sem valor é ganha. Todo o sub-enredo da dívida foi idiota. Podem até dizer que Kobato foi fiel à sua caracterização ao querer ser gentil com gente que foi grosseira com ela, mas ainda assim. Vilões que “se sacrificam pelo bem do mocinho sem que eles percebam” são melodramáticos, principalmente nesse caso, onde todo o desenvolvimento foi verbal, sem nenhuma interação direta entre os personagens diretamente envolvidos. Basicamente foi “eles se gostavam, e agora um está machucando o outro. Fique triste”. Não houve nenhuma tentativa de criar um impacto emocional através das ações dos próprios personagens. O nome disso? Drama forçado.

No fim, a própria identidade da série acabou pagando um preço alto demais. Pretendia ser uma fantasia contemporânea simples e leve, com uns toques de slice of life. Acabou por se tornar um slice of life com toques de fantasia(sim, isso faz muita diferença) bobinho demais, onde a má caracterização acabou com qualquer chance da série ter um desenvolvimento apropriado. Eu repito o que eu digo antes: eu gostei de Kobato, mas os vários problemas impediram o potencial do material de ser aproveitado ao máximo.

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2 respostas para O problema de Kobato se chama Kobato

  1. CRM disse:

    Só tem que considerar que o anime acabou primeiro que o mangá.
    E o mangá tem muuuuuuito mais história que o anime.

  2. Mika disse:

    Cara, tu fala tanto de desenvolvimento de personagens/eles em relação a história, e no entanto, me parece que não presta a atenção em coisas simples no entanto importantes. Essa inocência da Kobato (que se parece com burrice), serviu para dar a entender que ela NÃO era desse mundo. Portanto, senso comum, percepção a segundas ou terceiras intenções das pessoas ao redor dela, isso não existe na percepção de mundo dela. Ela é uma personagem que ”parece autista”(xD) como você se referiu, mas existe um porque dessa personalidade. Até esse ponto, acho que dizer que a caracterização dela é falha, é um erro. Pelo menos em relação a esse tipo de comportamento da personagem . Em relação ao Fai, eu acho que apesar dele ter uma personalidade gentil( [embora nem tão gentil assim na minha percepção] o que talvez já o deixe com um aspecto mais bobo), muita coisa a respeito dele mostra que esse comportamento ‘retardado’ não é nada mais que uma máscara que ele usa para esconder as próprias angústias (melodramático demais para você ? Huhauhauha. Para mim não =P.). De qualquer forma, eu sinto que a Clamp tem algo de diferente em relação a como elas querem que o público perceba os personagens delas. A Clamp sempre parece expor os personagens de uma forma que você os enxergue como pessoas, que como na vida real, não são livros abertos. Elas simplesmente deixam para que você entenda nas entre-linhas e ações dos personagens e as interprete. Esse é o estilo delas. Gostar ou não gostar, entender ou não entender, eis a questão :P.

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