Berserk Ougon Jidai-hen I vale mais pelo visual


Em 1997, quando a série de TV de Berserk foi feita, a computação gráfica era para poucos. O melhor que existia era o que era aplicado nos jogos de videogame, e peguem vídeos do primeiro PlayStation no YouTube pra ver o nível da animação. Apesar de ter evoluído bastante, a utilização da CG em produções animadas não é tão difundida quanto se achou que seria, tanto pelo custo, quanto pela dificuldade em se animar decentemente nesse formato. Berserk Ougon Jidai-hen: Haou no Tamago(Berserk Arco da Era Dourada: O Ovo do Soberano, em uma tradução livre) é uma prova de que, mesmo com o orçamento de um filme(sempre superior do que o destinado para séries de TV), CG é provavelmente a última fronteira nos animes. O primeiro que a dominar perfeitamente terá o mundo em suas mãos e conquistará glórias além do que a mente humana é capaz de imaginar.

Não adianta falar sobre o estúdio. Novatos no negócio de adaptações grandiosas, o Studio 4ºC é mais conhecido como o responsável por variados curtas metragens que pouca gente se importa. As vezes que o estúdio ousou fazer algo fora de sua alçada natural(tão conhecido por abusar da criatividade, a ousadia do S4C é quando recorre a coisas comuns, como animes para TV), surgiram coisas como Mahou Shoujo Tai Arusu, um anime mais interessante pelo visual do que pela estória em si; e Detroit Metal CIty, que dispensa apresentações. Obviamente essa adaptação de Berserk, com uso pesado de CG, novos dubladores e a promessa de adaptar todo o mangá ao longo de uma década foi a aposta mais arriscada que o estúdio deu até agora.


Também não adianta falar sobre a estória. É a mesma de 20 anos atrás, a mesma que todo mundo esperava rever. Agora, com os 25 episódios espremidos em três filmes. Cortes eram esperados. E aconteceram. Pra começar, a lendária cena da briga d’água, adorada por todos, depois, a cena em que Griffith ganha seu título de nobreza. No original, essa cena é fundamental no desenrolar da estória, é um divisor de águas para todo o elenco. Até então vistos como bandidos convenientes pelos conselheiros do rei, Griffith e o Bando do Falcão ganham status inéditos na história, passando oficialmente a serem um exército de Sua Majestade. É um passo além na ambição de Griffith, um sonho realizado. Ele, que se considera nascido para dominar, deixa de ser só o líder de um grupo de mercenários para alguém que tem o respeito da realeza. Uma cena impactante como essa merecia mais destaque, mas foi apenas citada como fofoca da corte. Bola fora.

Esse primeiro filme, se não me falha a memória, adapta a primeira metade da série de TV. Menos de uma hora e meia para contar 12 episódios. E dá certo. Fora o corte da cena do título de nobreza, todo o essencial para o entendimento da estória é mantido, sendo cortadas apenas cenas supérfluas. Mas o verdadeiro valor do filme está na direção artística adotada. Mesmo com o abuso de CG, percebe-se que os produtores deram muita importância ao visual do filme. As cenas de lutas são formidáveis e muito bem dirigidas e coreografadas. A cena do flashblack de Guts, logo depois de ser derrotado por Griffith, também foi bem feita, a “distorção” adotada e o ponto de vista “em primeira pessoa” foi uma grande sacada

Zodd na nova versão de Berserk. Eu prefiro o antigo.

Embora seja o quesito mais forte dessa nova versão, o aspecto visual tem suas partes falhas, poucas mais presentes. O filme é estranhamente claro demais. Berserk combina com escuridão, a maior parte da ação se desenrola entre o crepúsculo e o amanhecer, de noite, o que tem mais a ver com o objetivo de cada versão. Aqui o que foi mais levado em consideração foi o relacionamento entre os personagens, que acontece mais de dia. Zodd, que no original até os músculos dele tinham músculos, perdeu corpo, e embora sua forma original de Bafomé alado impressione, é um pouco estragada pela CG. A introdução dele na série, apenas sentado esperando o próximo coitado que ia sujar sua espada de sangue, é melhor do que a feita aqui, até porque ele é um ser escuro cercado por escuridão, o que dá um tom sombrio perfeito para o desenrolar da cena.


Essa é a minha cena favorita na série de TV. Quando tanto Guts quanto Casca percebem o quão longe Griffith está deles. Eles dois sabiam o quanto o líder era diferente dos demais, mas quando Griffith realmente põe para fora suas ambições e pensamentos, mostrando o quanto os subordinados estão atrás dele. É uma cena de impacto, é quando Guts, que se considerava Griffith um amigo, e achava que era uma amizade compartilhada(você não brinca pelado na água com qualquer um, não é?) se surpreende ao ver o tamanho do desejo do seu superior. Os amigos dele, Griffith diz, são aqueles que estão no mesmo patamar que ele, aqueles que vivem não pelos sonhos dos outros, mas pelos seus próprios. Os que se prezam a viver como suporte não são dignos do reconhecimento dele. Algo chocante para Guts e Casca, que por tanto tempo esteve ao lado dele e se consideravam aliados dele. No filme, apesar de ter sido bem feita, não teve o mesmo impacto do da série. A sensação que se passou é que foi rápida demais, não houve tempo para a cena ser assimilada do jeito que deveria.

No geral, esse primeiro filme de Berserk foi satisfatório, tanto para lembrar aos fãs antigos o que é ver Berserk animado, como para atrair novos fãs, o principal objetivo dessa adaptação. Afinal, o projeto de completamente adaptar Berserk só será possível caso o dinheiro chegue, e trazer sangue novo para a franquia é essencial para realizar isso. Agora, é só esperar o segundo filme para ver a épica batalha pela conquista do castelo de Doldrey(agora com 120% mais CG™), o aprofundamento da caracterização do trio de protagonistas e das intrigas na corte e a introdução do ritual de sacrifício. “Só” esperar.

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