China tenta fazer anime: Qin’s Moon

Não que seja novidade os chineses tentarem imitar os vizinhos japoneses, mas eu pelo menos não conheço nenhum projeto que seja tenha sido tão ambicioso quanto esse.


Eu queria muito que Qin’s Moon fosse bom. Eu não só queria. Ele tinha que ser bom. O download demorou duas semanas, pelo amor de deus. Eu nem me importei com a origem dele antes, na verdade me deixava mais ansioso. Longe dos vícios que o mercado japonês atual impõe a seus produtos domésticos, uma produção estrangeira, para um mercado diferente do atual, pudesse representar alguma mudança. Eu dei umas olhadas na OP e parecia boa. CG, de novo, mas se não era uma maravilha(não que eu esperasse que fôsse ser), ao menos não seria um atentado contra a minha visão. Rapaz, como eu me decepcionei.

Contando com a presença de figuras históricas reais, incluindo o ilustríssimo imperador Qin(aquele mesmo do exército de terracota), Qin’s Moon conta que o soberano tenta conquistar todo o mundo, e para isso começa anexando os 6 reinos sob seu poder, formando o que seria a China atual. Para impedir a dominação mundial, um grupo de guerreiros inicia uma resistência contra o tirano. Só que o imperador contrata um grupo de mercenáriso pra cuidar deles. E etcétera. Até aí, nada demais. Mas a força criativa da série se demonstra mesmo no uso da ambientação. Os personagens não são forçados a ir de um lugar a outro no mundo criado, é feito de maneira natural, por necessidade. Não como, por exemplo, Tales of Eternia, onde a utilização da ambientação era supérflua, e no geral não contribuía em nada.


Outro aspecto que foi muito bem planejado, e onde na verdade foi gasto pensamento até demais, foi nas habilidades marciais. É, uma produção chinesa que foca em artes marciais, surpresa do século. Só que aqui o detalhamento chega a ser ridículo, principalmente a questão do ranking de espadas, como se essa coisa fosse necessária. O que eu gostei mesmo foi da sacada da Seita do Vale Fantasma, que fora esse nome legal tem uma regra bem interessante: o mestre do estilo só aceita dois discípulos em toda a sua vida e que, quando graduados, viram rivais. Justamente, um dos herdeiros do estilo é o líder dos mercenários contratados pelo imperador, o outro é o mestre do protagonista. Malditas coincidências. Eu achei esse ponto interessate, sendo que o Vale Fantasma é apenas um “estilo” de espada, enquanto que as demais facções são parte das Cem Doutrinas que floreceram durante o Período das Primaveras e Outonos. Curiosamente, em vez de duelar com xadrez ou tiradas filosóficas, eles duelam com golpes e pseudo-andróides.

A pior parte em Qin’s Moon, de longe, é a parte técnica. Eu já vi animes amadores mais bem animados e dublados do que esse. Eu não entendi o uso da CG. Se nem companhias japonesas tradicionais tem a coragem de fazer uma série completa em CG(pelo menos não tinham até a chegada de Kingdom, nesta temporada) porque um estúdio fundado a apenas 2 anos ia fazer isso? A animação tradicional não iria salvar o anime, mas ajudaria bastante. Pelo menpos evitaria tantos rostos mal feitos, que fazem os personagens parecer ter algum problema mental. O storyboard também é completamente amador, o que mata totalmente a emoção das cenas de ação, fazendo parecer mais uma paródia de artes marciais do que a prática real. Os ângulos usados são tão ruins que, na maioria das lutas, tudo que se vê é um sujeito fazendo uns movimentos no meio de um pessoal, e gente voando pra tudo que é lado.

Isso até muda na terceira temporada, de longe a melhor. Aparentemente o anime deve ser um sucesso por lá, pois é incrível o quanto a animação melhorou. Não é perfeita ainda, os personagens continuam fazendo expressões idiotas, e a cena de uma carroça caindo(onde ela parece manobrar enquanto cai, em vez de sofrer uma queda retilínia) é hilária.


A dublagem também é ruim, e por causa do storyboard defeituoso e uma má edição, às vezes as falas dos personagens se sobrepõem sem querer, ou um personagem fala fora de sincronia, com os lábios fechados. O que mais me chamou a atenção nesse ponto foi como a pronúncia é feia. No começo eu imaginava que era só por causa dos dubladores, mas não. Quem já viu um japonês falando sabe que a pronúncia habitual do japonês é muito diferente do que se ouve em animes. Um exemplo? Angel Heart tem uma péssima dublagem, mas se você prestar atenção você percebe que os dubladores ruins só falam do jeito que os japoneses normais falam. O que eu quero dizer? Chinês é uma bela língua escrita, mas péssima para falar e ouvir.

Se eu tive raiva de Qin’s Moon? Não. Pelo menos não só isso. Eu tive pena. A estória não é muito original, mas a narrativa e, principalmente, a ambientação e uso dos elementos históricos, são magistrais. Da primeira para a segunda temporada, o salto na qualidade da narrativa é espetacular. Não que tenha sido perfeita, longe disso. Um episódio que parecia ser destinado a desenvolver o personagem de Tianming acabou virando só um flashback. Isso é meio concertado na terceira temporada, onde os coadjuvantes todos ganham uma caracterização forte, embora o protagonista Tianming continue devendo. Para a estória que pretendia apresentar, o aparente amadorismo dos produtores certamete prejudicou o começo. De acordo com a minha pesquisa, estão planejadas mais quatro temporadas. Qin’s Moon tem todo o potencial para ir além do que foi apresentado.

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