Fuan no Tane: uma análise sobre o horror


Fuan no Tane é um mangá de horror de 3 volumes criado por Masaaki Nakayama. Não é um horror convencional, e se a pessoa vai gostar ou não depende muito da visão que ela tem sobre o gênero horror.

Afinal, qual é a definição de horror? 3 sustos por segundo? Sangue por tudo quanto é lado? Ou uma atmosfera sombria e misteriosa? Tem gente que procura outros tipos de explicação, de que horror são sustos e etc., e sangue e violência seriam um gênero separado, o terror. Eu acho isso bobagem. Horror engloba tudo isso, só o que existe são sub-gêneros diferentes, e para mim o objetivo maior de qualquer obra de horror é só um: provocar desconforto.


Por exemplo, olhe pra foto acima. Olhe mais um pouco, com atenção. Você obviamente não levou susto nenhum, claro. Isso porque o horror dessa foto não é repentino, imediato. Não se baseia no susto, como quando alguém chega repentinamente por trás de você. O desconforto gerado pela imagem vem tanto da análise visual(de só ficar olhando pra foto) como de uma análise geral. Qual a história por trás dessa foto? O que acontecia aí? Por que esse lugar está assim agora? Por que foi abandonado? Onde é isso? Que tipo de pessoa andava por aí?

Essas perguntas, e o fato de que provavelmente nunca teremos respostas, é o que gera o desconforto, o horror. É a isso que Fuan no Tane(que traduzindo, curiosamente significa Sementes do Desconforto) se propõe.


Sementes porque o mangá não possui um enredo, ou seja, os três volumes são uma coleção de one shots bem pequenos, de 3 a 5 páginas, e que não possuem nenhuma relação entre si. Mas o autor consegue extrair o máximo de cada estória contada. Um detalhe curioso é que as estórias não são necessariamente originais, várias delas são reproduções de lendas urbanas, do tipo que se conta na internet ou numa roda de amigos no colégio.

O que isso quer dizer? Que Fuan no Tane é provavelmente o mangá que melhor retrata o que é o horror japonês, talvez até melhor que os mangás do mestre Junji Ito. Embora Ito também aposte muito na questão do desconforto, ele faz isso de outra maneira, apostando num uso muito mais aberto do sobrenatural, enquanto que nas estórias do Nakayama, o sobrenatural é sempre mais discreto. Até por serem baseados em lendas urbanas, onde o que conta mais é dar um sentido de veracidade à estória contada.


É como se Ito apostasse mais nas interações entre humanos e seres fantásticos em si, e Nakayama usasse a questão do “o que aconteceria se humanos e monstros interagissem”. Como se Ito mostrasse os meios e os fins, e Nakayama mostra os meios, mas deixa para a imaginação do leitor quais seriam os desenrolares dessas interações. “Se você sem querer atraísse a atenção de algo indesejado, o que você faria?”.

Eu vou ser sincero: você não vai levar nenhum grande susto lendo Fuan no Tane. Você não vai pular da cadeira nem dar uma olhada pra trás pra checar se tem alguma coisa se aproximando sorrateiramente de você. Não é isso que o mangá faz. O mangá origina seu horror do uso das situações e do desconforto que elas geram. Pode ser que algumas estórias também decepcionem nesse quesito, mas Fuan no Tane é essencial por ser uma reprodução honesta do horror contemporâneo japonês.

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Uma resposta para Fuan no Tane: uma análise sobre o horror

  1. Anderson disse:

    Adorei fuan no tane, li os 3 volumes… é o tipo do horror que causa medo e não susto… e depois nas madrugadas faz você relembrar as histórias e ficar totalmente imóvel na cama…
    Gostei muito… foi de longe meu mangá de horror favorito..

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