Savers é um teste de resistência


Digimon Savers até que é satisfatório, mas para chegar na parte boa é preciso ter uma boa dose de paciência.

Isso porque o começo do anime é muito baseado nas relações entre os personagens, e os personagens são todos muito desagradáveis. Simples e unidimensionais demais, eles até recebem um pequeno desenvolvimento no decorrer da série, mas aqui no começo eles são mais caricaturas do que personagens, eles apresentam pouca personalidade e muitos clichês. Isso também vale para os villões, já que todos apresentam motivações imbecis e são todos simples demais. O protagonista Masaru leva o prêmio: tudo bem que ele é pra ser o estereótipo do brigão sangue-quente, mas existem limites, e o esforço que a produção tem em fazer com que ele pareça valente e audacioso acaba saindo pela culatra e faz com que ele pareça um imbecil.

O que é uma lástima e um desperdício, considerando que essa temporada apresenta adolescentes em vez das crianças de sempre, ou seja, havia chance de inserir um drama maduro e bem construído, mas essa chance é desperdiçada.


Os parceiros digimons também não ficam atrás quando se trata de caracterização. Antes, os digimons funcionavam como uma espécie de complemento da personalidade do digiescolhido, eles também tinham sua própria personalidade, mas em Savers eles são mais dispositivos da narrativa do que personagens, já que não apresentam lá muito destaque ou crescimento. Tudo bem que ao “destravar” novos estágios de evolução vem junto uma pequena dose de desenvolvimento, mas isso fica restrito às pessoas, os digimons são simples do jeito que eram antes. Mas talvez isso já era assim em temporadas anteriores, e eu estou reclamando aqui só por reclamar.

Uma outra coisa que incomoda é como a dublagem foi, no máximo, mediana. Eu geralmente não falo muito desse ponto, porque se a dublagem de uma série é aceitável, eu deixo pra lá e nem considero, mas quando ela é mal-feita como a de Savers foi, eu sinto que eu tenho a necessidade de falar. O principal problema da dublagem aqui são os erros na convocação do elenco. Por exemplo, Taiki Matsuno no papel do Agumon. Não que ele seja um dos meus favoritos, mas a voz que ele dá ao Agumon é simplismente sofrível.


O dublador do Masaru, Souichirou Hoshi, entrega uma atuação exagerada demais. Ele já está acostumado a dublar esse tipo de personagem, mas o que parece acontecer aqui é que ele estava se forçando para exagerar nos trejeitos vocais do personagem. Também colocaram a inexperiente Yui Aragaki pra dublar Yoshino, o que obviamente foi um tiro n’água. Ela até mostra certo crescimento no decorrer da série, mas no começo incomoda e muito. Outro erro também foi escalar Rie Kugimiya pra dublar Ikuto. Não era a primeira vez que ela dublava um garoto, mas aqui ela parece entregar cada linha como se estivesse gritando.

Então, se você conseguir aguentar os episódios introdutórios, onde vão estabelecendo os personagens, a ambientação e a estória, o resto vai ser bem agradável. O enredo, embora demore a mostrar suas dimensões verdadeiras, é muito bem construído. Eu diria que rivaliza com o de Tamers. Ele pode parecer bem plano e chato no começo, mas aí vem uma revira-volta atrás da outra, e embora alguns pontos tenham resoluções meio óbvias(como a questão da traição do Tohma), outros são totalmente inesperados e bem construídos, mostrando que não são só para impressionar o espectador e não ter nenhum tipo de desenvolvimento ou peso na série em si.


A série também traz alguns conceitos bem interessantes. É uma coisa que se percebe, a principal diferença entre as várias séries de Digimon são mais os conceitos que cada uma introduz e como eles são executados. Em Savers, a estória gira em torno de um esquadrão que lida com aparições de digimons no mundo real, que foi obviamente “emprestado” de Tamers. Aqui, essa questão tem mais peso na estória e é mais desenvolvido. Outro ponto interessante é que também os humanos passam a ser transportados para o Digimundo, e não só os de lá vem para cá. Isso dá chance para váris desenvolvimentos legais, mas infelizmente essa questão é muito pouco utilizada.

Na parte técnica, a animação apresenta altos e baixos. No decorrer da série, são muitas as cenas mal-feitas, mas as cenas das evoluções, por exemplo, estão muito melhores do que em temporadas anteriores. Pelo que eu descobri, a Toei andava em uma espécie de crise financeira no começo dos anos 2000, o que pelo menos explica porquê as séries antigas tem um visual tão mais ou menos. E também explica porquê levaram 4 anos, de Frontier para Savers, para produzir outra temporada. A coisa que mais agrada mesmo é o character design, mais realista agora. As crianças agora deixaram de parecer anoréxicas com mãos e pés grandes demais e ganharam uma aparência melhor.

Então, Digimon Savers tem um começo horrível, mas quem resistir e chegar lá pela metade, onde o enredo começa a tomar forma e adquirir proporções maiores, vai se surpreender com todo o potencial da série.

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