Pokémon Xros Wars


Tem uma cena em Xros Wars 2(o título original é muito longo e eu não vou me importar em copiar), em que doisdigimons se fundem, e o resultado final é como se não tivesse acontecido nada. Apenas que um dos braços do digimon X foi substituído pela cabeça do digimon Y. Esse é o tanto de criatividade que foi gasto com essa temporada.

Não que tenha sido um completo horror, embora chegue muito perto disso. Xros Wars 2 tem provavelmente o melhor arco introdutório desde Adventure 01, onde a ambientação, os conceitos gerais da série e os personagens são apresentados de maneira agradável e com um bom andamento. Eu só não entendo porque resolveram fazer isso como uma sequência a Xros Wars, já que as estórias de ambos praticamente não se relacionam, e a única relação entre uma série e outra seja um personagem recorrente. Poderia ter sido feita como uma temporada separada, mas isso não é realmente relevante aqui.


Pois então, o arco de introdução é bem feito. O conceito principal da série também é interessante: agora, o mundo digital e o real se relacionaram de tal forma que criou o DigiQuartz, espécie de dimensão alternativa que não é “nem lá nem aqui”, e o que os digimons fazem lá tem efeitos no mundo real. Os “digiescolhidos”(por um velho relojoeiro) agora caçam os digimons bagunceiros para evitar que eles criem maiores confusões, podendo capturá-los e utilizá-los em batalhas futuras. Infelizmente, é aqui que as coisas boas acabam, e o jeito com que elas foram conduzidas é a inspiração pro título do post: lembrou Pokémon.

Pra começar, os personagens são mediocremente desenvolvidos. Com isso eu quero dizer, ele não são desenvolvidos. Não seria problema, contanto que eles fossem carismáticos ou tivessem uma boa personalidade, mas aqui nem isso. O protagonista, Tagiru, aparentemente não descobriu outra forma de pronunciação que não seja gritar. Ele é o típico herói shounen cuja única característica é a coragem; ou estupidez, dependendo de como lidam com esse traço de personalidade. Tagiru, no entanto, é irritante.

Esse pessoal não tem quase nenhuma importância na série, nem motivos, nem desenvolvimento, ou seja, não tem razão de existir.

Só adianta falar do Tagiru, porque ele é o único que realmente tem destaque, até mesmo para um protagonista; não existe nenhum outro personagem tão destacado quanto ele, o que é uma pequena subversão do que acontecia em outras temporadas: mesmo com elencos maiores, geralmente todos os personagens do grupo de “crianças” tinha um desenvolvimento, tinha um episódio só pra si pra explicar seu passado, sua personalidade. Aqui, Tagiru rouba toda a cena, mesmo com o elenco muito menor do que em outros casos.

O enredo também é praticamente inexistente. O que existe são episódios stand-alone, que mostra como o DigiQuartz se relaciona com o mundo real, no que é uma tentativa de expandir e mostrar mais da ambientação do anime. O problema é que esses episódios são totalmente desinteressantes, geralmente em torno de um “problema da semana”(alguém lembrou da Equipe Rocket?), e que geralmente é resolvido de maneira previsível e/ou sem graça. Os próprios problemas em si são muito sem graça, e até bem irritantes, já que na maioria dos casos se trata apenas do Tagiru gritando por todo lado.


De repente, a coisa fica séria nos episódios finais, em algo que é uma tentativa de dizer “olha só pessoal tudo foi bem planejado e o enredo é todo fechadinho”. Os mais desavisados pode até cair nessa armadilha, mas o que realmente existe tirada essa aparência superficial tudo o que sobra é deus ex machina e reviravoltas aleatória que só estão lá com o intuito de chocar o espectador, mas que não salvam a narrativa de forma nenhuma. O próprio relojoeiro, que é quem inicia a narrativa ao dar um X loader ao Tagiru, quase nunca aparece. O próprio Gennai, pra citar algo de dentro da franquia, tinha mais presência.

Como ponto positivo(o único), a animação continua no mesmo nível de Xros Wars, e pode-se dizer que vai além, com as representações do DigiQuartz e vários efeitos visuais bonitos. Um destaque negativo da parte técnica com certeza foi escalar Marina Inoue pra dublar o protagonista Tagiru. Embora a voz e o personagem combinem, o resultado final é muito desconfortável, e a voz que ela dá ao personagem ajuda muito pra consagrar o menino da madeixa vermelha como o pior protagonista da franquia.

Xros Wars 2 é passável, ignorável, uma grande decepção considerando o quão interessante prometia(e poderia ser), inclusive levando em conta como sua antecessora foi boa. Algo pra ser esquecido.

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2 respostas para Pokémon Xros Wars

  1. Carl disse:

    Realmente, foi horrível. Xros Wars (1 e 2) foi a pior das franquias “DIGIMON – DIGITAL MONTERS”.
    Tanto a animação inferior em relação às demais, quanto o roteiro e os personagens.
    Ótimo post! 😀

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